Quem são e onde estão?
Em todo esse tempo não faltou inspiração nem tempo, pois, não existe falta de tempo, mas, prioridades, que muitas vezes são infladas por regimes de urgência e dedicações abusivas ao trabalho.
Sou refém desse fenômeno, gostaria de ter mais liberdade para o convívio e a comunicação com a minha esposa, minhas filhas, meus familiares e amigos, estes últimos que podem estar tão ocupados quanto eu.
A vida nos consome, ou nos consumimos a vida? Deixamos de lado o ontem, com a cabeça no futuro, fazendo o hoje e esquecendo o amanhã. E é no ontem que ficam as relações. O concreto é que o mundo atual, competitivo e global, nos obriga a processar a velocidade da luz, e não aprendemos com os acontecimentos. Mesmo com esse calhamaço gerencial tenho me dedicado nos últimos meses, ao exercício da reflexão e o encontro de lições.
O certo e que, às 2300 horas de telenovelas, 3 a 5 telejornais, somando aos realitys shows afastam as pessoas. A sociedade está saciada em ver o mundo sendo telespectador ou no máximo se conectado virtualmente ás pessoas.
A visita e o dialogo pessoal é cada vez mais incomum, parece que as pessoas estão cada vez mais distantes umas das outras, consequência de toda tecnologia existente.
Essa tecnologia em vez de aproximar parece afastar as pessoas. Em redes sociais tem servido mais para as “brincadeiras” de mau gosto do que para o diálogo. Do diálogo vivo, presente, olho no olho, está ficando na saudade. Talvez eu seja saudosista, que seja! Contudo, era muito bom visitar os amigos e conversar sobre tantas coisas boas e interessantes, olho no olho.
Hoje as amizades não são profundas, são superficiais, as relações sociais tornam políticas e lobistas, e sem sentimentos. Amizade é negócio, estamos numa era canibal, onde as relações são banalizadas a networks, onde os valores são cada vez mais escassos, os princípios mais raros, e a banalização à brutalidade, a hipocrisia e a malfeitoria, se universalizam.
Parece que quanto maior a conectividade, a cobertura celular, internet wi-fi, banda larga, redes sociais, fotografias e arquivos digitais, o mundo físico evacua, é como se as tecnologias tirassem o espírito da sociedade. Assim, começo a entender por que algumas civilizações não queriam ser fotografadas.
Já passou o tempo em que as pessoas de um bairro, de uma rua, se conheciam. Hoje, vizinhos impõem medo e cuidados, as relações são frias, não existe calor humano, somos quase europeus, ou será o sangue europeu que também corre em nossas veias? Eu moro em um lugar onde conheço menos de meia dúzia de pessoas, num universo de quase quinhentas.
A boa conversa está bem escassa, até que nesses últimos dias reencontrei com os meus pais, em um diálogo leve e solto, rico, plural, ávido e apropriado foi como se estivesse numa roda com especialistas com meus pais. Contudo, ainda receio que isso seja possível e limite-se apenas aos ambitos de meu lar e familiares, apesar deles demonstraram que é possível encontrar outras pessoas, basta estar aberto e não apenas esperar.
O triste é que estamos escassos de pessoas aptas a uma boa conversa, que fuja dos problemas cotidianos. Estamos tão em movimento que não é dado o direito de encontros reais, ou mesmo virtuais, pouco exercitarmos o ávido interesse em saber como está fulano, beltrano e cicrano. Nem de nos mesmo nos importamos em saber, não paramos nem para sentir as reações de nossos corpos, e assim as doenças são o freio dessa célere loucura rotineira.
A cada ano as pessoas vão passando como se fossem uma correnteza, e como um rio sem mata ciliar e sem proteção, tudo é levado e pouco fica. É cada vez mais raro ligar, escrever ou ver, muitos se limitam as baias do trabalho, aos teclados dos computadores e aos celulares.
Assim, a vida vai promovendo tantos encontros e recordações em tantos cantos, todavia poucas raízes. Às vezes os dias são até intensos, a apatia toma conta, as distâncias e os mergulhos no cotidiano castram as relações. Os acontecimentos demonstram quem somos e quem são as pessoas que nos cercam ou cercaram, que efetivamente se importa com os terceiros. Quantos contatos efetivos afetivos sem conatações amorosas, sexuais e comerciais fomos mergulhados nesses dias e nessa vida.
Lamentavelmente processos sociais que mergulhamos a cada dia, tomam conta da nossa sanidade. Espero que você consiga superar a dita falta de tempo e se empenhe com seus amigos. Lembrar-se daquele cara que ia a praça para conversar, aquela amiga que levava horas dialogando, afinal de contas como eles estão? Que tal reencontrar, relembrar, reconectar? Não deixe que as pessoas apenas passem na sua vida, tenha um milhão de amigos como disse Roberto Carlos em sua música, contudo, mais do que quantidade, mantenha relações de qualidade. Deixe de lado os interesses meramente profissionais, abra vosso coração, não deixem que as palavras passem, permita que elas fiquem.
Use o tempo com o útil, desta forma você evoluirá, será maior, mais forte e sólido. É vital pensar, refletir e discutir, e, sobretudo amar ao próximo como a si mesmo, pois amar é o sentido da vida.
Por Cristiano Cardoso Gomes