O ardente desejo de não ser lesado e usar inteligentemente meus escassos recursos financeiros, tem me levado cada vez mais a utilizar orelhões e ter o celular apenas para receber ligações. Tenho descoberto que acusticamente também é melhor.
Porém, as descobertas não param por ai, a maior delas é a contestação que apesar dos bilhões ganhos pelas companhias telefônicas, sobretudo a OI antiga Telemar, não estão sendo suficiente para consertar os orelhões ou mesmo instalar novos aparelhos. O dinheiro é pouco, provavelmente a companhia telefônica deseja que o governo federal a inclua num desses PACs, recursos para infraestrutura que possibilite a substituição, reparo e inclusão de mais orelhões públicos.
A Oi coitadinha, está descapitalizada e não pode investir, e a ANATEL pobrezinha, tem tantos chamados que certamente está como uma barata tonta de um canto ao outro. E certamente as companhias dirão, o vandalismo é grande demais, milhões e milhões tem sido investido.
Contudo estimados leitores, o que tenho encontrado não são apenas orelhões pichados, e quebrados decorrentes do vandalismo. Tenho encontrado orelhões envelhecidos, ainda frutos da antiga Embratel das Teles, aquelas que FHC precisou privatizar em seu mergulho anti-socialimos e em prol do neoliberalismo.
As empresas públicas foram vendidas com a justificativa de não gerarem lucro, como um dos argumentos centrais. Você que tem acesso a informação, percebe o quanto se usa e o quanto se gasta, podendo desta forma deduzir o faturamento das operadoras telefônicas.
Ainda sobre o estado degenerativo dos telefones públicos, há uma semana numa avenida da cidade, necessitei passar em quatro orelhões para conseguir uma péssima ligação. O primeiro chamava… mas, a ligação caia, o segundo não dava linha, o terceiro estava na mesma situação do primeiro e o quarto fez a ligação com a qualidade do tempo em que o sistema era manual, onde as trocas para completar a ligação era feito por um ser humano.
Que esses orelhões não funcionem é natural, porém, o estado de conservação dos mesmos, é lastimável. Cada vez que uso um orelhão desses, tenho pesadelos com minha orelha caindo ou o dedo contraído com uma pereba incurável.
Até lembro aqueles orelhões ingleses, que de tão sofisticados compõem até o cenário da cidade, nem lembro a logomarca da empresa telefônica, será que orelhão tem que ter logótipo? Até poderia ter propaganda, hoje colocam propaganda até nas costas do pessoal nas ruas. Acho que talvez eu concorde com a privatização da cúpula do orelhão, haja vista que a OI está descapitalizada. É melhor e que os orelhões sejam estatizados, desta forma, acaba-se com o problema da OI. A bichinha tem pouco ganho, trabalha no vermelho, teve que implantar uma infraestrutura rara, ou as velhas Teles deixaram boa parte dessa infraestrutura? Ah, fica instituído aqui o movimento ultrarrevolucionário pela estatização dos orelhões, haja vista que atual gestora é incompetente e joga sempre a culpa para o usuário.
Não posso negar que os usuários destroem, contudo, sei que pichação e arranhão, não deixam o telefone mudo. Uma empresa com tantas cabeças pensantes, que fatura tantos bilhões poderia disponibilizar um sistema comunicativo (acho que a comunicação é o negócio dela) que informasse quando um gancho de um telefone ou aparelho ficava sem operação, abrindo ocorrências policiais. Nunca ouvi dizer que alguém foi preso por ter quebrado um orelhão, fica por isso mesmo. Outra coisa e que da forma que os aparelhos funcionam, em dados momentos o sangue esquenta e certamente 60% é motivado pelo fato desses maravilhosos aparelhos apresentarem defeito.
Em se tratando de defeito, a estimada empresa poderia colocar pedras cerâmicas em relevo, nas calçadas demonstrando aos portadores de deficiência visual a existência desses estimados aparelhos. Quanto à acessibilidade, esta poderia evoluir, o que de novo foi feito nesses últimos anos não sei, se você sabe diga a empresa, quem saiba ela não aproveita algo ou faça parte de nossos movimentos. Minha intenção era apenas criar o Movimento Ultrarrevolucionário de Estatização dos Orelhões (MUEO) que pode ser apoiado pelo Movimento dos Sem Orelhões (MSO), e Movimento de RESISTÊNCIA dos Orelhões (MRO). Esses movimentos estão sendo liderados por mim, buscando pessoas que se solidarizem de forma a alteramos a legislação atual, possibilitando uma sociedade que possa ter orelhões limpos, em funcionamento e compatíveis para adultos e idosos, ou mesmo fazer valer nosso direito de poder usar o orelhão sem riscos a saúde e que tenha qualidade digital. Contudo, já vendi algumas ideias, quem saiba as estimadas operadoras telefônicas não se sensibilize.
Não seria o orelhão público um caso de direito universal? Haja vista, que tantos serviços governamentais e de emergência são ofertados por telefone. Ao estatizar os orelhões, também poderiam ser estatizadas as torres de celular, assim, diminuiria a poluição urbana com estas. Cada operadora tem uma torre, e quando se olha para o céu, não se ver apenas nuvens, vê-se torres e antenas de celulares.
Em algum lugar escutei dizer que a cada 100 metros deve ter um orelhão, quem encontrar orelhões funcionando de um para outro a cada 100 metros diga-me, que vou providenciar a minha mudança.
Como operar telefones e redes sem fio é uma concessão pública, ou seja, uma oferta da sociedade a uma empresa que paga para utilizar, as concessões devem garantir que haja orelhões em funcionamento. Outra coisa são os locais para destinar os cartões telefônicos, não seria nada mal que os mesmos pudessem ser depositados no orelhão ou recipiente, afinal, de quem é o lixo, se não das operadoras e ANATEL que se quer existe um sistema para recarregamento ou reaproveitamento desses? Certamente os milhares de cartões telefônicos utilizados diariamente estão tornando-se lixo e entupindo os bueiros das cidades. O orelhão é um direito do povo, porém, é vital colocar em prática.
Certamente esta celeuma a operadora comunicará por sua educada relações pública: A operadora solicita ao cronista comunicar a rua e orelhões defeituosos, e avisa que dos próprios aparelhos é possível comunicar o defeito. O cronista informa às operadoras que certamente existe tecnologia que possibilita saber quando um aparelho funciona ou não, faço saber também que quando existe o fone é possível a comunicação. Cara operadora descapitalizada, invista em campanhas educativas e soluções criativas para conservação dos orelhões. Estimado Estado, a copa do mundo e olimpíadas estão chegando, certamente os visitantes também necessitarão utilizar esses conservados aparelhos, espero que ninguém pegue um eczema auricular ou mesmo perca a orelha neste ato, seria uma péssima lembrança. Certamente aqueles mais acostumados com algo normal, sentirão nojo em clicar nas estimadas teclas da imagem ao lado.
Como gosto de matar a cobra e mostrar o pau, eis a foto de alguns desses
orelhões a seguir:
Também tenho monitorado a queda de um orelhão em Itapissuma na Rua Manoel Borba, que há quase um mês encontra-se no chão, tendo inclusive sido retirado o aparelho. Queda anunciada em decorrência da má instalação do aparelho somado ao vandalismo.
Estamos atentos e de olhos bem abertos, haja vista, com nossas orelhas comprometidas em defender a vida dos públicos, a resistência desses na paisagem urbana, a ampliação da rede de orelhões, bem como seu funcionamento.
Esse manifesto e ideias são apoiados por:
- Movimento Viva Orelhões – Viva Orelhão;
- Movimento de Resistência dos Orelhões – MRO;
- Sociedade de Defesa dos Orelhões – SDO;
- Movimento dos Sem Orelhões – MSO;
- Movimento ultrarrevolucionário de Estatização dos Orelhões;
- Movimento dos Deficientes Visuais Rotineiramente Atingidos pelos Orelhões;
- Sociedade em prol da Acessibilidade dos Orelhões.
- Movimento antivandalismo aos Orelhões – MAO (Não sejam maus, apóie o MAO)
Esses movimentos foram criados por Cristiano Cardoso e aguarda a vossa associação aos mesmos, envie já seus dados (nome, cidade, estado e ocupação), e se possível a foto de seus orelhões do coração.
Escrito por Cristiano Cardoso Gomes, usuário do deficitário sistema de telefonia pública ofertado nas cidades brasileiras. Alguém que mantém constantes desinfecções auriculares para manter-se utilizando esse importante bem social.
[...] Thiago Galhardo on Os númerosIslânia on Os númerosJoão Paulo on Manifesto à Valorização Financ…Salomão Jalfim Neto on Globo da MorteSalomão Jalfim Neto on Manifesto à Valorização [...]
Realmente, o estado dos telefones públicos é, em geral, lastimável. Quando funcionam, são nojentos.
Concordo em genero e número, não podemos nos curvar as incompetências destas operadoras.
Vamos a luta!!!