Dados momentos e necessidades da vida nos tornam patéticos. Curioso é definir onde está o ponto de equilíbrio entre o engraçado e o patético. São os acontecimentos eleitorais que me leva a graus filosóficos nunca antes imaginados.
Como engenheiro, sou amante do número, calculo tanto que nem controlo meu orçamento. Do contrário, fico deprimido em saber como será a minha aposentadoria bem como o que deixarei para as minhas herdeiras. Contudo, o meu passatempo predileto é calcular e observar.
As eleições e os números dos candidatos, nos faz entender a força de impacto dos números de rombo, 1,2,3 e tantas outras combinações matemáticas, e mesmo a pensar que grau de influência os números têm sobre o eleito. Esse inferno de número está criando subsídio para um eventual doutorado em matemática, pois, dadas lógicas necessitam de um tempo grandioso para ser observado.
Por outro lado, é o momento que a criatura vira número e o número torna-se criatura para alguns. Nas eleições anteriores percebi aqui em Pernambuco, que alguns candidatos tinham sido eleitos pela magia do número. Por exemplo, o número 12345 elege qualquer criatura, mesmo que esta não tenha proposta e não apareça no guia eleitoral.
O TRE deveria analisar isso com carinho, pois o povo está sendo contaminado pela assombração numeral, que acontece quando uma pessoa vai votar e esquece o número do candidato, aí então lá vão: 12345 ou 10000, esses mil é mais que especial.
Gostaria que fossem apenas os números que me levam a somar e tirar noves fora, perceber se são primos ou não, e entender a sonoridade dos mesmos, contudo, mais patético e ver um rosto rindo de mim a cada dois metros, e por quilômetros em dadas avenidas. Nunca imaginei que um dia teria que disputar a calçada com um retrato. Driblar ou ser acidentado por um retrato é demais. Outro dia desses, se não fosse minha atenção tinha tido o carro atingido por um retrato político voador que desesperado pelo voto, até voar voou. E mais desesperado estão algumas pessoas nos sinais, que até dançam ao ritmo dos jingles dos candidatos.
E aí CTTU, faixa de pedestre virou pista de dança? Fico imaginando eu velho, tentado passar no meio dos jovens animados, com medo da cotovelada do frevo que rasga. Porém, muito pior do que os números, são os sorrisos dos candidatos nas ruas e os jingles que ecoam um milhão de vezes em nossa porta, e que nos leva a cantar até para a oposição.
Sem falar dos comboios de motociclistas e suas bandeiras. Oh cruel e irreparável clímax eleitoral! Queria entender matematicamente e de forma exata, qual a valia desses instrumentos, pois, para mim o único efeito até agora é de enjoo numérico e o desejo de votar 0000.
Caro Cristiano,
Hoje ao passar naquele velho bairro que todos os dias estavamos por la, o Rosarinho, lembranças e experiencias que aprendi também com você principalmente em todo aquele processo de auditoria, e lembro bem que você gosta tanto de numeros, que no projeto havia uma organização tremenda e da facilidade que o mesmo tinha em memorizar alguns numeros de nota fiscal ou de procesos, inclusive em alguns percursos para o trabalho o mesmo contabilizava quantidades de diversas situações, como contar quantas barras de ferro tem em um portão ou quantas paradas passam para chegar no destino final. Mas fazendo o meu comentario referente a essa cronica, isso que você comenta e a pura verdade, já argumentei com algumas pessoas sobre a mesma situação.
Abraços,
Thiago Galhardo
Oi Cristiano,
Que delícia de ler sua crônica, ela refletiu exatamente o que tod@s nós estamos passando e sentindo nesta época de eleições… é meio dramático e ao mesmo tempo ilário.
Um abraço,
Islânia